Os galhos secos quebradiços
As pedras cobertas de musgos
O longo e gélido rio
Seguindo o seu curso
Me vejo caminhando
Nas margens rastejando
O tempo parece não ter definição
Está parado ou infinitamente acelerado
O que podemos fazer pra distinguir?
Apenas se atentar aos detalhes
Um dia eu ouvi uma voz
Sussurrando no meu ouvido
Eu estava abrindo uma porta
Um enigma a ser desvendado
Senti um arrepio
Formigas nos meus pés
Água deslizando entre os dedos
Senti bolhas salgadas no meu rosto
E segredos além da vista
Quando a porta se abriu pra mim
O túnel escuro e estreito
Se tornou claro e amplo
Tinha a visão de um horizonte sem fim
A primeira vista uma coruja branca
Em seguida um urso pardo
As margens de uma floresta densa
As copas verdes me confortaram
Aquele lugar tinha um cheiro marcante
Senti um vento frio nos cabelos
Frescor nos meus pés
Nostalgia nos meus pensamentos
Acalento no fundo do coração
Eu sinto que finalmente estou em casa.

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