terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Espírito andarilho

Eis que eu logo me vejo 
Sentada numa tora de eucalipto
Em minha pele crava um percevejo 
Percebo o céu mais límpido

Minhas andanças não bastaram
Vida nômade, pernas viajantes
Espíritos andarilhos jamais pararam
Para ver aquilo que viram antes

Sou cigana, fada, sereia, loba, águia
Meu ser é uma metamorfose constante
Se der numa ocasião qualquer
Eu me assumirei só como mulher

Energias sagradas femininas
Afrodite, Oxum, Pachamama,
Morgana, Ártemis, Yansã e o que tiveres
Empoderam-se dessas meninas 
Que passam a ser agora, mulheres

Quando eu dançar
Não vou hesitar 
Ainda mais a luz do luar
Vou me libertar
De qualquer amarra e amarrador
Porque coração é de amor
Jamais feito de dor

Pelo poder feminino 
Eu proclamo o meu hino
''jamais presa, jamais indefesa,
sou caçadora e não amadora''






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