terça-feira, 11 de junho de 2019

Passeando entre os vales da tormenta

Passeando entre os vales da tormenta
Os galhos secos quebradiços
As pedras cobertas de musgos
O longo e gélido rio
Seguindo o seu curso
Me vejo caminhando
Nas margens rastejando

O tempo parece não ter definição
Está parado ou infinitamente acelerado
O que podemos fazer pra distinguir?
Apenas se atentar aos detalhes

Um dia eu ouvi uma voz
Sussurrando no meu ouvido
Eu estava abrindo uma porta
Um enigma a ser desvendado

Senti um arrepio
Formigas nos meus pés
Água deslizando entre os dedos
Senti bolhas salgadas no meu rosto
E segredos além da vista

Quando a porta se abriu pra mim
O túnel escuro e estreito 
Se tornou claro e amplo
Tinha a visão de um horizonte sem fim

A primeira vista uma coruja branca
Em seguida um urso pardo
As margens de uma floresta densa
As copas verdes me confortaram
Aquele lugar tinha um cheiro marcante

Senti um vento frio nos cabelos
Frescor nos meus pés
Nostalgia nos meus pensamentos
Acalento no fundo do coração
Eu sinto que finalmente estou em casa.




quarta-feira, 27 de março de 2019

Amores disfarçados

Amores de colégio, amor à primeira vista, amores de aeroporto, amores de metrô, amores de lanchonete, amores de matinê, amores de salão, amores de cinema, amores de bar. Amores de sofá, amores de mãe e filha, amores de família, amores de criança e bicho, amores não-românticos, amores de banco de pracinha, amores de parque de diversões, amores de domingo, amores de adolescência, amores do ambiente de trabalho, amores proibidos, amores platônicos, amores de shopping, amores que sobrevivem à distância, amores que vivem presentes em todos os momento. 

Amores de estação: aqueles típicos de cada estação. Amor de verão é aquele intenso e inesquecível que não conseguiu resistir ao tempo. Amor de outono é aquele que parece promissor e nem sempre ficam até o inverno por não aguentar te ver sem as flores e nem as folhas que você possuiu um dia. Amor de inverno é aquele que surge na hora que você está perdido, acolhedor, cuida das feridas, recolhe os cacos de vidro do coração ferido, alivia as mágoas. Amor de primavera é aquele que surge no seu ápice, logo após você ter sofrido uma metamorfose, onde você começa a florir e dar frutos, e partilha dos seus melhores momentos em sua melhor fase.

Bons, ruins, quentes, frios, intensos, fracos, longos, efêmeros... mas todos continuam sendo amores.
Resistem num lugar dentro da sociedade que o julga como uma coisa muito proibida, as vezes suja, errada... porém muito desejada, muito disputado e transformado em objetivo ideal, onde envolve muito extinto e intuição para aqueles que sabem o real significado dele.
Amor não tem uma forma específica e única pra existir e nem pra ser apresentado, apenas e baseia num ideal imposto por nós mesmos e varia de pessoa pra pessoa.

Eles sugerem existir em simples atos que passam despercebidos por alguns. Amor às vezes vem disfarçado de "bom dia, boa tarde, boa noite", "se cuida fica com Deus","durma bem", "como foi seu dia?". Pode ser aquela pessoa que sempre liga pra ver se está tudo bem, que pergunta se você já comeu, ou diz que viu alguma coisa e lembrou de ti. Ou aquela que diz: "leva o casaco", "fiz aquele doce que você gosta", "deixei pronta uma comida na geladeira pra você". Amor é um cuidar do outro mesmo zangados. 

Existem mil e um jeitos de um sentimento se manifestar, e de uma coisa eu tenho certeza: o amor sempre vem de alguma forma e cabe a nós percebermos e aceitar de coração aberto.

Se considere alguém de sorte se possui alguém para compartilhar suas alegrias e tristezas. E se não possuir, tá tudo bem também, o amor próprio é primeiro passo para o caminho do amor.



domingo, 24 de março de 2019

Descoberta de seres interiores

Diferente de tudo que já foi escrito aqui. Total inovação e aviso de retorno ao blog!

Estava mexendo no computador, nos emails e coisas antigas e me deparo com uma poesia de Paulo Leminski numa rede social: 


"Antes que a tarde amanheça
e a noite vire dia
põe poesia no café 
e café na poesia"

Eu acabei me lembrando dos velhos tempos de poesia no aqui do blog. Até que me lembro do login daqui, e quando eu entrei, senti invadir uma nostalgia, um sentimento especifico de tudo que eu havia feito por aqui.
Resolvi restaurar, editar o estrito necessário e decidi retomar esporadicamente as atividades por aqui depois de ANOS inativa. 

Mexe e remexe, até que eu encontro salvo nos rascunhos a seguinte carta:


A MINHA CARTA AO EU DO FUTURO

"O seu interior pode revelar milhares de coisas que ninguém poderia desconfiar ou ao menos perceber. É incrível pois não tem explicação que descreva isso tão bem, apenas vivendo para saber como é. Você achando que algo era para ser de um jeito mas descobre que seria melhor de outro." 
''Descoberta de seres interiores'', escrito em 23/07/2014.


(RASCUNHO ENCONTRADO NO BLOG EM 24/03/2019, HOJE).

E eu resolvi me responder! 



A MINHA RESPOSTA AO EU DO PASSADO


Como eu achei o caminho de volta? Nem me pergunte, apenas lembrei daqui do blog e voltei aqui. Não me corrigi em muitas coisas, não mexi no que não era preciso. 

Eu sempre tive razão, percebi quando li a carta. Com essa pequena carta, cheguei a muitas conclusões. Quando você sofre por uma coisa, evita ela de qualquer maneira, ou simplesmente ignora um fato... você não está livre e sim se martirizando, e quando você aprende a deixar ir é a melhor decisão da sua vida

Só se percebe de fato que algo foi superado quando se depara com o problema que te paralisava bem na sua frente, sem poder fugir. E você felizmente sente nada mais além da INDIFERENÇA. É que se torna simplesmente algo comum, sem significado, sem memória e nem rastros. Apenas algo. Alguém. Um lugar. Uma associação. Uma situação comum.
E isso é apenas possível quando se transmuta, quando passa por uma metamorfose, quando se descobre seres interiores dentro de si mesmo. Facetas, poses, caras, personas, teu estilo, tudo. Quando você é capaz de se desdobrar e se adaptar, pra depois viver uma vida nova com plenitude.

Meu eu do passado disse: "Você achando que algo era para ser de um jeito mas descobre que seria melhor de outro"

Essa é a frase pro eu do futuro! E eu não sabia! São sinais que a ida e volta do passado/futuro é constante e existente. É uma grande lição em poucas palavras, e cabe a si mesmo interpretar. 

E realmente aprendi que:
O passado é aprendizado pra vida. 
O presente é um presente a se agradecer.
O futuro ao Universo pertence.

A transformação me permitiu reconhecer as pessoas maravilhosas que me acompanharam durante a jornada, amar verdadeiramente, descobrir a fé dentro de mim, viver intensamente, fazer coisas novas, conhecer novos lugares, novos livros, novos filmes, novas músicas, novos hobbies, enfim... eu poderia listar tudo em um dia inteiro. 

E isso tudo depende de um passo importante que você pode dar: aprender a  amar a si mesmo!


(RESPOSTA ESCRITA EM 24/03/2019, HOJE)




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Madrugadas expressas em emoções

São 2:48 da manhã, toca o despertador, e eu com olhar cansado e meio atordoado, porém com coração acelerado e ansioso, levanto-me correndo, visto um casaco de capuz, calças largas, tênis, e carrego comigo duas latas spray de tinta na cintura. E vou à procura de espaços vazios na cidade para eu enfim depositar minhas emoções em forma de arte urbana. 
Entre os parâmetros arquitetônicos dos prédios, casas, marquises, bancas, praças, e muros de locais abandonados, sob a linda luz da Lua, sereno e admirável piscar de estrelas, procuro lugar onde eu possa escrever tudo, mas nunca dá, pois nenhum é grande o bastante. Então vou em um lugar de cada vez, escrevo no primeiro: ''O amor é calor, o ódio é frio e a poesia é a dor que revela por trás de tudo''; e no outro eu escrevi: ''Eu prefiro ser frio nessa cidade e quente contigo'', e na consecutiva foi aparecendo coisas na minha cabeça e a rapidez de jogar frases foi impressionante, e quando noto, já gastei quase toda uma lata. Passou uma senhora com um um carrinho cheio de coisas na rua e me me disse: ''Boa noite moça'', retribui. 
Andei mais um pouco e peguei outra lata e pensei em músicas inspiradoras, aí lancei primeiro um ''É melhor ser alegre que ser triste'' de Vinícius de Moraes; em seguida um '' Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar'' de uma música cantada pelo Cartola; e depois um ''Pra quê rimar amor e dor?'' de uma música cantada pelo Caetano Veloso... e a noite foi longa... escrevi mais algumas coisas e a última lata acabou também. 
Eu pareço satisfeita, mas nunca consegui dizer o que eu queria para ti, eu dizia para a cidade, mas nunca olhando nos seus olhos, e sim para os muros cinzas e amarelados. Me torna covarde por não dizer isso diretamente a você? Mas vai que eu posso até morrer de tanto guardar isso? Se fosse pra morrer seria melhor se eu fosse um tanto como Morrissey dizia: ''Morrer ao seu lado seria uma deliciosa maneira de morrer''... 
Quando notei lá pelas 5:55 da manhã, já estava amanhecendo, e eu super cansada, caminhei para o terminal rodoviário do centro da cidade, e foi aquele incrível paradoxo de esperar um ônibus chegar. Eu não estava sozinha esperando, tinha próximo a mim, um moço de uns 25 com barba por fazer lendo jornal, uma senhora bem idosa parecendo mal humorada e uma menina meio sonolenta.
Uma espera de aproximadamente uns 15 minutos, chegou o ônibus, e fomos embarcar. Me sentei numa janela de um banco para apenas uma pessoa, eu via da janela aquele incrível contraste de concreto e cor, pessoas passando, comércios abrindo, e o dia seguindo normalmente como uma rotina. Eu via aquilo tudo e nunca me dou por satisfeita, seria melhor ainda se você soubesse que todo esse tempo gasto com poesia e frases de amor é por você. 







terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Espírito andarilho

Eis que eu logo me vejo 
Sentada numa tora de eucalipto
Em minha pele crava um percevejo 
Percebo o céu mais límpido

Minhas andanças não bastaram
Vida nômade, pernas viajantes
Espíritos andarilhos jamais pararam
Para ver aquilo que viram antes

Sou cigana, fada, sereia, loba, águia
Meu ser é uma metamorfose constante
Se der numa ocasião qualquer
Eu me assumirei só como mulher

Energias sagradas femininas
Afrodite, Oxum, Pachamama,
Morgana, Ártemis, Yansã e o que tiveres
Empoderam-se dessas meninas 
Que passam a ser agora, mulheres

Quando eu dançar
Não vou hesitar 
Ainda mais a luz do luar
Vou me libertar
De qualquer amarra e amarrador
Porque coração é de amor
Jamais feito de dor

Pelo poder feminino 
Eu proclamo o meu hino
''jamais presa, jamais indefesa,
sou caçadora e não amadora''






sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Menino bonito dos laços de amor

Moço bonito 
seus olhos em lágrimas 
se desabaram 
pelo que se vê
agora venha até mim
que eu cuido de você

Felicidade eu via muita
mas eles querem sentir pouca
então eu desisto
venha até mim
que eu já estou ficando louca

Eu sinto que ainda resta
pouca esperança
mas não fica assim
ela é quem foi criança

Os caminhos estão abertos
Para você me achar 
Agora depende de você
Querer vir me procurar








terça-feira, 16 de setembro de 2014

Licantropia

Licantropia 
Meia noite e lua cheia
Só volta pra casa 
Quando é luz do dia

Rasgos, arranhões, dentadas
Bodes, patos e carneiros
Vacas, galinhas e porcos 
Tudo vai pro ar
Enquanto o marido 
Fica entre os travesseiros
Nem a imaginar e sonhar

Apenas sabendo do perigo
Da tal mulher loba
Que ele traz consigo

Ela chega ao amanhecer 
Na ponta dos pés e bem devagar
Deita do seu lado e finge dormir


Mal sabe que por trás disso 
A adrenalina está nos dois
Eles acham que se escondem disso
Nem aqui, nem agora e nem depois
O mistério permanece por aqui




Fiscal de corações frágeis

-Que horas você chegou?
-As 3.
-Que horas vai embora?
-Talvez as 6...
-Você podia ir e voltar?
-As 10 to livre!

Fiscalizando os corações
Vou seguindo meu serviço
Sem ganhar nada em troca
E pra te encontrar 
Eu dou sumiço


Tu procura meu rosto pelas ruas
Quando se pega distraído
Olhando pelos espelhos
Sua imaginação vai fluir
E de repente você avista
Minha figura atrás de você

Eu sabendo disso
Nada custou sorrir
Triste é eu saber
Que logo eu terei de ir
Talvez pra sempre
Eu vou ser feliz

E bem? Eu já sou feliz.



segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Desmacarar almas

Menino que passa
Na minha rua
Quando me olha
Me vê nua?

A luz da Lua
Quanto tu voltar
E se quiser ficar
Serei apenas tua

Se mudar de ideia
Eu talvez estarei lá
E se quiser voltar
Sou um pássaro a voar

Opiniões efêmeras
Igualada ao meu coração
Meus dias contados
Toquei tua mão

Com delicadeza
Eu vi o futuro
És um bambolê
Coração mole
Porém medo duro

Se entrega pra mim
Volte e fique
Não fuja e nem corra de mim
Diga que gosta daqui

Eu quero ver você se abrir

Gosto que fale pra mim
Não o que eu não quero ouvir
Mas diga apenas um sim





Sensatez ao léu

O pessimismo e a melancolia
A ilusão e desilusão
Será que você me via?
Pelo sim e pelo não

Se o amor seria correspondido?
O ódio e o amor
Ou pelo melhor 
Não consigo parar de falar disso
Será que estou a ser compreendido?

De qualquer forma eu ficarei
Nada para rimar amor
A não ser com dor
Só sei que jamais deixarei de te amar

Nem por mim
Nem por ti
Mas sobre o amor 
Enfim já esqueci


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Esperanças destruídas

Eu por acreditar em mim mesma
Confiante fui verificar
E depois dessa cisma
Nunca vou me perdoar

E aquele adeus perdido
Jamais vi coisa assim
Quem sabe se eu falar com as estrelas
Fazer um bom pedido
Ele reaparece para mim

Percebi que decepção ficou
E raiva disso tudo restou
Esperanças completamente destruídas
Confianças e certeza logo então perdidas

Estrelas lá no céu
Flores lá no jardim
Ondas lá no oceano
E eu sem você para mim
Eu para cá e você para lá

Eu queria consertar isso
Porém a culpa não é minha
Não me importo com isso
Mas nunca deixou de ser
Ele sim assim a tinha
Toda culpa do universo

Mas tola mesmo fui eu
De ter pensando nisso por dias
E olha no que deu
Mas apenas eu posso falar
Pois só eu sei o quando
Toda essa história me doeu









segunda-feira, 21 de julho de 2014

À procura do meu amor

Procuro em todos os lugares 
Sabendo que não vou encontrar
Mesmo assim eu não desisto 
Pelo simples motivo de te amar

Paro e tomo um café
E ainda continuo a procurar
Eu fico esperando muitas vezes
Num lugar onde costumávamos ficar
Na esperança de te encontrar

Penso que assim sou feliz
Eu estou por aí acompanhada
Mas meu coração sendo só seu
Me olham e isso ninguém diz
Não me importo de ser observada
Só quero que um dia seja só meu

E andando por aí sem saber 
Se um dia vou te ter
Eu sabia que falando disso
Eu ia ficar com o coração quebradiço
E sabia que eu não iria me conter

E vejo que estou parada
Na margem da amargura de mim mesma
Virei suicida e por isso 
Irei agora mesmo me afogar
Nas lembranças que restaram




quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quero certeza

Quero beijo
Quero abraço
Quero amasso


Mas se tudo que há na vida
Conquista com desejo
Porque então minhas tentativas
Não passam de um total fracasso?


Talvez seja assim
Por falta de espaço
É, bem lembrado
Ninguém é feito de aço










quinta-feira, 19 de junho de 2014

Jardim das flores

Como na história de Alice
Num país de maravilhas
Vivo me olhando no espelho
Pra tentar imaginar maravilhas
Do tamanho do seu desejo

Um canteiro só de rosas
Cuidado por floristas dengosas
Margaridas são flores preferidas
Das minhas irmãs queridas

Narciso nunca te vi 
Tão indeciso
Lírio com seu encanto
Vou ao delírio

Monsenhor Pom-Pom
Você é tão agradável 
Quanto um bombom 

Iris com a beleza
Quase como a de Ísis
Gardênia, eu lhe ofereço
À quem me pagou
Uma viagem para Romênia

Frésia esplêndida
Não vou esquecê-la 
Nem que eu tenha amnésia

Girassol que não importa
O que aconteça
Jamais deixa de olhar
Para o Sol

Cravo lindo sem a 
Tal Rosa Dengosa
Olha para o céu
Tu não passa de
Favo sem mel

Dendron hoje tá frio
Vou ficar debaixo 
Do meu edredom
Crisântemo já florescido
As dores que eu jamais temo

Copo de leite
Tão lindo
Não me importo com quem se deite 
Nem com quem se deleite

Antúrio tá quase na hora
Deixa anoitecer para ver
Você aqui e no céu Mercúrio

Dente-de-leão
Não aguenta pressão
Vai voando então

Cantos cantinhos canteiros
Com o maior prazer contigo passo
Meus dias inteiros

Jardins jarros jarras jardineiras
Te convido para viver comigo 
Durante três vidas inteiras









De lugar em lugar

De praça em praça 
Namoros perdem a graça
De prédio em prédio
Gente cheia de tédio

De mar em mar
Silêncios à gritar
De floresta em floresta
Vejo luz por uma fresta

De margem em margem
Vejo povos se falarem
Em oposta linguagem

De mãos em mãos
Vejo tanta gente junta
Todos se considerando
Como grandes irmãos

De querer em querer 
Vejo gente querendo ser 
De lugar em lugar
Vi gente amando sem julgar






À paisana

À paisana eu sou
Um homem infeliz
Olhando de onde estou
Isso ninguém diz

Morreram todas
As minhas esperanças
Quanto a minha moça
Junto às lembranças

Do que adianta fugir
Do mundo cruel
Não vai ter nem
Para onde ir

A Lua é perto demais
Então quero ir para Marte 
Sem notícias terrestres locais
Onde todo sofrimento é arte

Onde vou ficar na asleep
Totalmente entorpecido 
Sofrimento passará a ficar
Pra sempre esquecido

Na minha parede rabiscando 
Planos e nossa arquitetura
Vou nos traços navegando
Até não ter mais estrutura

O meu caro amigo Sol 
Me perguntou o que
Me deixou aborrecido
O que? Eu já havia esquecido










Caiu na rotina

Cair da noite
Ir para o bar
Para onde foi-te
Partiu sem pensar
Beber, cantar, dançar
Até se cansar

De close em close
Foi pro fim da rua
E no quase amanhecer
Viu a Lua aos poucos
Partindo, toda nua

Bebida acabou
E o bar fechou
O mundo não acabou
Ressaca junto à ilusão bateu
Mas a realidade chegou
Assim como a vida prometeu

Caiu na rotina
As pessoas, as caminhonetes, 
Motocicletas a todo vapor,
Carros velhos com casais infelizes

Caiu na rotina
Cavalos, lagartos, abutres e mariposas
Os ventos, nuvens leves
Tempestades de areia
Plantações totalmente secas 
E carcaças de boi

Caiu na rotina
Paisagem de estradas com cactos 
Junto a esse resplendor de céu 
Que é quase neon 
Nada que se possa fazer com os fatos

Sigo na infinita highway
Carrego o necessário
Chega de levar a dor
Do sofrimento que só eu sei









quinta-feira, 8 de maio de 2014

Nos embalos das noites de Jazz


Nas noites de espetáculo
Muitos esperam para ver
A moça dos cabelos loiros
Tudo isso é enlouquecer
Ela é uma mulher lindíssima
Creio que deu para perceber

Ela com uma voz estremecedora
Avança, o tom perfeito da voz
Poxa, logo ela que não é nada amadora
Mas o que será que ela quer de nós?

Ela precisa terminar o show
Antes que totalmente amanheça
Antes da bebida acabar, e wow!
Antes que eu totalmente enlouqueça

Porque uma moça dessas seduz
Mas ela é ainda tão jovem
E sai correndo apagando a luz
Agora, só digo mais no show que vem

Apagou-se a luz
E ainda assim
Vejo a silhueta dela
Em cima do piano
Isso sim me seduz 





quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nosso amor de cada dia

Seja do jeito que tu quiser
Assim eu me aprontarei 
Para quando eu vier
Buscar minhas coisas 
Logo na manhã eu partirei
No trem das oito horas

Uma pena que seja assim
Você lá e eu aqui
Tenho medo é do fim
Mas sempre estou por ali
Nos bares à busca de gim

Porque no bar daquela esquina
Vive vagando almas vazias
Mesmo com toda a graça da menina
Os bêbados tem constantes azias 

As noites frias sem ti
Tem sido um tormento
Na estação eu estou por vir 
Mal espero por este momento









Carta para a querida Nostalgia

Cara Nostalgia,

Não sinto muitos incômodos na sua presença, só acho que deveria me lembrar coisas valiosas e esquecer as que não tenho motivo de reviver aquilo na minha mente.

Eu quero lembrar da infância de vez em quando, não constantemente, porque sempre me traz saudades daquelas de apertar o peito e vem aquela vontade de chorar. Eu quero me lembrar do que já foi bom um dia, e não de coisas tolas e fúteis.
Eu não quero lembrar da pessoa não-correspondida comigo, não quero lembrar das inimizades, e nem das situações ruins que eu passei um dia.

Eu preciso lembrar do que um dia me fez feliz, lembrar dos pequenos prazeres da vida, aqueles que ninguém dá importância significativa.
Como por exemplo, uma cartinha/bilhete, uma flor, um presente, uma bala ou chocolate de alguém especial, para que tudo isso fosse para uma caixinha de segredos e depois de muitos anos, abri-la para que venha a sensação de nostalgia. Pode não ter a lembrança material como isso tudo, mas sim a lembrança de algo momentâneo e sem registros. Mas sempre existe algo que nos traz o sentimento da nostalgia, como: o sorriso de alguém, um rosto que jamais conseguiu esquecer, um aroma específico, a sensação de um toque, uma música, o sabor de um doce, saudade do tempero de alguém, lembranças que um lugar traz, uma cor que diz muito sobre você, um objeto encontrado no fundo de uma gaveta, um álbum de fotografias, uma frase de algum livro, o gosto de um café feito por quem a gente ama ou até se sujar de tinta e depois de jogar na água. 

Sinto muito sua falta, Nostalgia. Apareça-me com coisas maravilhosas que eu já vivi de vez em quando, por favor e obrigada desde então.